não cabe mais a língua
temerosa de devaneios

(nem em tua boca mais cabe)

abajur desconectado
como pessoa não escrevo
mas enlouqueço…

planos para o futuro?
um resto só pode ser nada

who eats keats?
who hates yeats?
you love greeks
i want laces
mas, não
canto a morte
ou urnas nem
como rouxinol
em canto de quarto infecto em bizâncio
da cama no urinol escarro escárnio
enquanto todo encanto jaz(z)
esquecido
levanto-me cambaleante
defecando hipocrisias
neste bi(llie)g holiday
inacabado e estéril
hipocôndrico faço
cakes para yeats
craks para sentir
o canto do rouxinol de keats

para laura

agora, agora mesmo,
o que escrevo para ela?

poema de amor, epopéia,
soneto, trova singela?

qualquer que seja a forma,
verso, prosa, novela,
não conseguirei traduzir
o amor que sinto por ela.
há as que falam
e as faladas
há as que calam
e as que são caladas
há as que possuem
e as possuídas
há as que largam
e as que são largadas
há as que desperdiçam
e as desperdiçadas
há as que sobram
e as que soçobram
há as carentes
e as desesperadas
há as rebeldes
e as obedientes
há as que faltam
e nem são notadas
há as que traem
e as que são traídas
há as que dependem
e as independentes
há as calientes
e as que gelam
há as interessantes
e as interesseiras
há as que gozam
e as que se enfadam
as ricas ficam lindas
as feias abundam
as belas ignoram
as fadas iludem
são poucas as freiras
nenhuma santa
todas feiticeiras
noites de cabíria
noites de caríbia
noites do caribe
bailes do cabide

trucidem minhalma mas
não me tirem o sexo convicto da sacralidade da carne
branco
verso
perverso
de humor
negro
kamasutra

FUCK FUCK FUCK
FUCK FUCK FUCK
UCKF UCKF UCKF
UCKF UCKF UCKF
CKFU CKFU CKFU
CKFU CKFU CKFU
KFUC KFUC KFUC
KFUC KFUC KFUC
FUCK FUCK FUCK
FUCK FUCK FUCK
AND YOU WILL BE HAPPY
FOREVER
OREVERF
REVERFO
EVERFOR
VERFORE
ERFOREV
RFOREVE
FOREVER OR FEVER MOREOVER
poema de e e cummings


un(bee)mo

vi
n(in)g
are(th
e)you(o
nly)

asl(rose)eep


-------------------
"tradução":



tu(abe)és

abe
la(lha)a
dor(n
a)me(ú
nica)

ci(rosa)da
o sonho
alheio à realidade é...
sonho

a realidade
desprovida do sonho é...
realidade
sem dó nem piedade
choro
o que deixei de rir
não votuporanga aristides
essas mecontes tenebrosas
sob o luzpálio do calçadão
lombriga paz


meticortenta a alergia
uxora anacalendas
rebota os artelhos no chão
anacoluta


invoca teu mantra e senta
nhá benta nas mandingas
luz cama camarão
enterra jazz


emite she kengs proalto
pentelha nas utopias
crava na velha o ferrão
uagadugu


antão solta as palafitas
esquece mi anaresia
vai zanzar em zanzibar
sururucagem